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Quarta, 24 de Julho de 2013 - 08h14

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A resistência da Helicoverpa armigera à tecnologia Bt

Frente à problemática, pesquisadores apostam no controle biológico da praga

Universoagro

 Helicoverpa armigera possui alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. Foto: divulgação.

Adair Sobczack

A resistência de insetos à tecnologia Bt se tornou mais preocupante na safra 2012/13 com o avanço desenfreado da Helicoverpa armigera, uma lagarta muito próxima de uma espécie comum e conhecida pela maioria dos agricultores: a lagarta-da-espiga, ou Helicoverpazea.

As ocorrências de maior severidade praga da foram registradas no Oeste da Bahia, causando perdas elevadas, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos.

De acordo com a Embrapa, esta lagarta é muito severa em países da Ásia, África e Austrália e tem como hospedeiros culturas como milho, soja, algodão, sorgo granífero, painço, girassol, cereais de inverno (trigo, aveia, cevada e triticale), linhaça, grão-de-bico, feijão e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas.

Na opinião de Ivan Cruz, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo, o que torna a praga preocupante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. “Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, fato já documentado na literatura, especialmente em relação à piretroides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de compostos, como carbamatos e organofosforados”, explica o pesquisador.

Seus ovos são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho, assim como a espécie H. zea. “Ao eclodir, as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além desse dano direto, são comuns as infecções bacterianas secundárias”, alerta Cruz. De acordo com o pesquisador, as larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das mais desenvolvidas na planta e do pendão.

Uma das características que a tornam ainda mais severa é o ciclo de vida, que dura em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas, especialmente nas áreas mais quentes. Cruz explica que ocorrem seis estágios larvais, podendo chegar a até 40 mm de comprimento. A pupa é marrom escura e tem entre 14 mm e 18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

Controle biológico

Frente à problemática, pesquisadores apostam no controle biológico da praga. Fernando HercosValicente, pesquisador do Núcleo de Biologia Aplicada da Embrapa Milho e Sorgo, explica que estão sendo identificados genes promissores de Bt que possam ter eficiência comprovada contra a Helicoverpaarmigera. “Estamos iniciando os testes e podemos ter algum sucesso no controle da praga”, antecipa.

A próxima etapa é a multiplicação dos agentes por biofábricas, primeiro através de escala piloto, fase que deve ser feita por atores que tenham interesse na tecnologia desenvolvida pela Embrapa.

Uma das características que a tornam ainda mais severa é o ciclo de vida, que dura em torno de um mês. Foto: divulgação.

Na opinião de Cruz, o principal agente de controle biológico para liberação em nível de campo para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera são as vespinhas do grupo Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. “A liberação desse agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área-alvo e indicar a época de liberação. A armadilha e o feromônio sexual já estão disponíveis no mercado internacional”, explica o pesquisador.

Ivan Cruz destaca que o correto manejo das pragas de milho deve considerar necessariamente a possibilidade de liberação do Trichogramma tanto para o controle da lagarta-do-cartucho, como para o controle do complexo de Helicoverpa(zea e armigera). “O alto índice de parasitismo natural de ovos da lagarta-da-espiga indica a adaptação da espécie ao agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera”, relata.

“Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção, onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt, a importância de insetos (parasitoides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode e nem deve ser negligenciada”, conclui.

Documento e Hotsite

A Embrapa disponibilizou, em seu portal, o serviço Alerta à Helicoverpa, com informações técnicas sobre a nova praga e medidas de controle. A Embrapa Milho e Sorgo também criou, na primeira semana de abril, o hotsite “mipmilho”, com ações relacionadas ao Manejo Integrado de Pragas. Segundo o pesquisador Ivan Cruz, a introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o manejo integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente adequar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.

“Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas instituições de pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo”, afirma o pesquisador.

*Com informações da Embrapa Milho e Sorgo 

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